Cantor Marcelo Falcão se lança em novo voo

Cantor Marcelo Falcão se lança em novo voo

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O músico que durante 25 anos fez voz em uma das bandas mais conceituadas da música nacional, Marcelo Falcão do grupo O Rappa, hoje percorre o Brasil em carreira solo, mas não sozinho. Com ele estão profissionais que já acompanhavam O Rappa, além de alguns antigos conhecidos, como Bino Farias (Cidade Negra), Juliana Vieira (guitarrista famosa nas redes sociais) e um time de peso escolhido a dedo. Além da nova fase musical, Falcão teve seu primeiro filho, há dois meses.

O músico conversou com nossa reportagem e o papo foi de família, amigos e redes sociais à política, música e o que mais interessa aos fãs, sua nova fase e se O Rappa pode voltar um dia. Confira:

Como você se sente nessa nova fase? Quais as expectativas?

Marcelo Falcão – Estou muito feliz com essa nova fase, com o nascimento do meu filho Tom. Minha expectativa é continuar fazendo o que eu amo. Posso dizer que meus últimos 15 anos com O Rappa foram grandiosos. Hoje estou com um pensamento só: não pararia por nada nesse mundo, eu amo música. Tenho muitos arquivos e com a ajuda de amigos, como Felipe Rodarte (produtor musical), Cedric Myton (músico Jamaicano), Lula Queiroga (poeta, compositor e cineasta) que é um dos meus ídolos, pude terminar o Viver, que foi minha primeira etapa dessa fase e agora poder conceber esse show. O foco é fazer músicas novas. To amarradão!

Após tantos anos de palco, ainda bate aquele nervosismo por iniciar essa nova fase?

Falcão – Sempre! O nervosismo é natural, não tem como não ficar nervoso, ansioso. Mas sabe como a gente ameniza esse nervosismo? Quando você lembra o quanto a gente se dedicou, um ano de estúdio, um olha pro outro e já sabe. Tipo aquele time do Romário que ganhou a Copa do Mundo. Só no olhar já rola aquela energia, fora a admiração de estar no palco.

Como você tem interagido com a internet e com essa nova geração de artistas digitais?

Falcão – É inevitável esse modernismo chegar para todos. Tanto para os que querem quanto para os que não querem. E os que querem parece que já sabiam que isso ia acontecer, já estavam à frente a muito tempo. Acho que a internet ainda é pouco explorada, pois tem um potencial gigante. Eu aprendo com os novinhos e tento me inserir da maneira mais honesta possível. Acho que posso interagir mais? Posso! Por isso venho interagindo com Iza, Helinho (Ponto de Equilíbrio), Chino (Oriente) e tem rolado coisas legais como “Pesadão” e o acústico do Jota Quest que gravamos recentemente.

Como você enxerga o pop rock e o cenário atual da música brasileira?

Falcão – Eu penso que o pop rock desandou mais ou menos como a população brasileira: deixou de ser unido. Hoje vemos culturas que eram consumidas apenas em uma ou outra região, sendo consumida no país inteiro, como o sertanejo, sendo consumido nas grandes cidades. Mas essa sobreposição vem também de uma gama de investimentos que já vinham sendo feitos, e de uma unidade artística que faltou no pop rock. Faço uma critica como O Rappa: poderíamos ter feito mais parcerias, mais sons juntos, mais feat que movimentaria muito mais a cena. Hoje vejo os novinhos querendo interagir comigo e tenho maior prazer em interagir, pois o futuro é se misturar mesmo.

O que você tem a dizer para essa juventude digital e sobre o legado de bandas como O Rappa?

Falcão – Torço para que essa molecada tenha curiosidade para saber o que rolou nas gerações passadas. Torço que eles acordem mais cedo, pra usar o aparelhinho (smartphone) de uma forma mais inteligente. Existe um legado, mas vai da curiosidade para as pessoas saberem. É natural que cheguem novas pessoas, surjam novas histórias, é natural e é preciso. Mas o que é pra sempre é pra sempre. Algumas músicas do Rappa, Charlie Brown Jr., Legião, de bandas que viveram uma história de transformação pela música, ninguém consegue apagar!

O que você acha sobre a atual fase política do país?

Falcão – Sofrível ! Sofrido pra caramba. Não fecho com nenhum lado. Acredito no trabalho social. Pessoas dentro deste ou de outros governos que fazem ou fizeram políticas sociais reais. Porém, não vejo ninguém com interesse em fazer isso. Só vejo uma briga dos que tem o poder contra os que querem o poder. Vacilou tem que rodar! Ainda mais quem tira dinheiro de merenda. Viajo pela Europa e vejo nosso ouro lá. Fomos saqueados e os que eram para nos proteger, até hoje continuam nos saqueando.

Para encerrar, a pergunta que não quer calar: O Rappa volta ou não volta um dia?

Falcão – A pausa foi para tirarmos umas férias sabáticas. A ideia era dar um tempo para que cada um fizesse e exercesse a sua real vontade. Uns férias, o Xandão e o Lauro estão morando em Portugal e o Lobato está produzindo um disco. Assim que acabar nossas férias sabáticas, podemos sentar e conversar e um dia, quem sabe, acho que podemos voltar sim!

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