Existe uma diferença entre onda grande e onda pesada, e Teahupo'o é o lugar onde ela fica óbvia. Não é altura: é o que a água faz no último metro antes de quebrar.
Foto: The TerraMar Project / Wikimedia Commons, CC BY 2.0
A etapa da elite mundial está rolando ali agora, com janela de 8 a 18 de agosto. E os dados de mar dizem que os melhores dias são os primeiros.
Por que essa onda é diferente
O fundo em Teahupo'o não sobe: ele salta. A ondulação vem de milhares de quilômetros pelo Pacífico Sul, sobre água profunda, e encontra uma laje de coral rasa quase de uma vez. Toda a energia que estava distribuída na coluna d'água tem que caber num metro e meio de profundidade.
O resultado é uma onda que não tem a altura de outras famosas, mas tem uma parede espessa — o lábio desce com um volume de água que em qualquer outro pico estaria dividido em três ondas.
É por isso que a medição em metros engana quem lê de longe. Três metros ali não se parecem com três metros em Saquarema.
O que a previsão mostra para a janela
A ondulação que abriu a etapa é a maior do período, e ela está descendo:
- 10 e 11 de agosto — de 2,9 a 3,9 m, período de 11 s, swell de sul-sudoeste
- 12 e 13 de agosto — de 2,1 a 2,9 m, mesmo período
- 14 e 15 de agosto — cai para 1,5 a 2,0 m, período afinando para 9 s
- 16 de agosto — leve retomada, 1,6 a 2,2 m
A água está a 26 °C.
O número que importa nessa lista não é a altura, é o período de 11 segundos. Ondulação de 11 segundos chegou de longe e vem organizada; a mesma altura com 7 segundos seria mar mexido, sem forma. É a diferença entre a onda que se surfa e a que só levanta.
A direção também conta: swell de sul-sudoeste, entre 190 e 199 graus, é o rumo clássico do pico. Ondulação nascida nas tempestades do oceano Antártico, viajando para o norte.
Por que isso interessa a quem está no Brasil
As mesmas tempestades do sul que alimentam Teahupo'o alimentam o nosso litoral sul e sudeste — só que por outro caminho e em outra época. Entender o período e a direção do swell num lugar como esse é o mesmo exercício que decide se vale a pena dirigir até a praia num fim de semana aqui.
Quem acompanha a etapa vendo a repetição perde a parte interessante: o mar muda ao longo da janela, e é por isso que as baterias não acontecem todo dia. A organização espera o dia bom. Neste caso, o dia bom foi o começo.
Assista ao vivo
As baterias so acontecem quando o mar permite, entao a transmissao fica no ar
durante toda a janela e retoma nos dias de condicao. O Taiti esta sete horas
atras do horario de Brasilia.
Onde ver
As baterias são transmitidas pelo canal oficial do circuito, e o horário varia porque depende da condição do mar — o Taiti está sete horas atrás do horário de Brasília, então o que acontece de manhã lá costuma cair no fim da tarde daqui.
